Archive for the Literatura Category

Gritos silenciosos

Posted in Literatura on Setembro 3, 2009 by lasatine

Chamo-te imprudênciallama[1]

 

 

Ouço-te entre dois cantos,

do grilo que me delicia

e do galo que me desperta

no resto escuto silêncio.


Vejo-te entre dois mundos,

o imaginário que me extasia

e o real que me acerta

no resto observo sombra.


Sinto-te entre dois toques,

o leve que me arrepia

e o brusco que me aperta

no resto abraço ausência.


Cheiro-te entre dois aromas,

o puro que me inebria

e o sintético que me alerta

no resto inspiro solidão.


Apesar da sombra do silêncio

e da solidão da ausência,

sei que te amo imprudência,

porque sou eu, porque és tu.

 

 

Andar aos papéis

 

 

Desejo beijar-te as palavras
que me aceleram o coração
quero sentir a escrita
que flúi da tua mão.

Deitar-te em papel craft
para fazermos um draft
cada letra linha curva
cada espaço de compasso.

Escreves profundo desejo
num canto que eu não vejo
e pões-me o nome na boca
como se estivesses louca.

Papel dobrado e desdobrado
suspiro de paragrafo inacabado
tesão evidente em esboço
tão fácil antes não fosse.

 

Publicado pelo blog Vulgaridades. Passem por lá…

Os meus

aplasos

Satine

 

Trono e Reino

Posted in Literatura on Julho 5, 2009 by lasatine

Tudo na vida tem um propósito aqui deixo um enigma da minha pessoa.

 

Quando começo a escrever

Sempre fico sem saber que dizer.

Nos pensamentos me perco.

Verdadeiros são, é certo.

 

Consta que ao homem pertence o reino,

Será reino o mesmo que poder?

Quando a mulher no trono tem o treino

Para devagar, semear e colher.

 

Afinal quem demanda?

A mulher no trono, o homem rei?

Terá o rei a palavra, a mulher o poder?

Antes de rei é homem, no trono a mulher é poder!

 

Se o leito for o reino

Fingida de submissa é a mulher deitada

Vitória ao rei dá

Mas não terminou

 

No reino que é o leito meu corpo ofereço

Ao rei que é homem e merece

Mas antes teve que fazer o que me apetece

As minhas vontades o que me mereço.

 

Sou mulher, tenho o poder

De reger meu corpo a meu belo prazer

por vezes dou sem querer

em troca de poder

 

Sexo é sexo, é negócio de prazer

Gosto de homem que saiba fazer

Levar-me ao infinito da luxúria

Deleitar-se-á com os prazeres da vulva

 

Prazeres luxuriantes, sensações únicas

Corpos misturados em fluidos húmidos

Sexo no sexo o aconchego perfeito

Sexo é sexo, nada nele rejeito.

 

Olhares tresloucados trocados

Prazeres adiados, fantasias

No leito tudo vale, nada se adia

Não em troca de meros trocados.

 

 

  Satine

 

 

Piano

Posted in Literatura on Junho 2, 2009 by lasatine

Visto que o meu amor não me visita fico-me com o Piano. Paixão sem me redimir.

Também não pretendo retirar as minhas faculdades a essa Paixão.

     Somente

         Satine

Hamlet

Posted in Literatura on Abril 7, 2009 by lasatine

Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre
Em nosso espírito sofrer pedras e setas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provocações
E em luta pôr-lhes fim? Morrer.. dormir: não mais.
Dizer que rematamos com um sono a angústia
E as mil pelejas naturais-herança do homem:
Morrer para dormir… é uma consumação
Que bem merece e desejamos com fervor.
Dormir… Talvez sonhar: eis onde surge o obstáculo:
Pois quando livres do tumulto da existência,
No repouso da morte o sonho que tenhamos
Devem fazer-nos hesitar: eis a suspeita
Que impõe tão longa vida aos nossos infortúnios.
Quem sofreria os relhos e a irrisão do mundo,
O agravo do opressor, a afronta do orgulhoso,
Toda a lancinação do mal-prezado amor,
A insolência oficial, as dilações da lei,
Os doestos que dos nulos têm de suportar
O mérito paciente, quem o sofreria,
Quando alcançasse a mais perfeita quitação
Com a ponta de um punhal? Quem levaria fardos,
Gemendo e suando sob a vida fatigante,
Se o receio de alguma coisa após a morte,
–Essa região desconhecida cujas raias
Jamais viajante algum atravessou de volta –
Não nos pusesse a voar para outros, não sabidos?
O pensamento assim nos acovarda, e assim
É que se cobre a tez normal da decisão
Com o tom pálido e enfermo da melancolia;
E desde que nos prendam tais cogitações,
Empresas de alto escopo e que bem alto planam
Desviam-se de rumo e cessam até mesmo
De se chamar ação. 2457894vw612

Hamlet é uma tragédia de William Shakespeare, escrita entre 1599 e 1601. A peça, passada na Dinamarca reconta a história de como o Príncipe Hamlet tenta vingar a morte de seu pai Hamlet, o rei, executando seu tio Cláudio, que o envenenou e em seguida tomou o trono casando-se com a mãe de Hamlet. A peça traça um mapa do curso de vida na loucura real e na loucura fingida — do sofrimento opressivo à raiva fervorosa — e explora temas como traição, vingança, incesto, corrupção e moralidade.

Apesar da enorme investigação que se faz acerca do texto, o ano exacto em que Shakespeare escreveu-o permanece em debate. Três primeiras versões da peça sobrevivem aos nossos dias: essas são conhecidas como o Primeiro Quarto (Q1), o Segundo Quarto (Q2) e o First folio. Cada uma dessas possui linhas ou mesmo cenas que estão ausentes nas outras. Acredita-se que Shakespeare escreveu Hamlet baseado na lenda de Amleto, preservada no século XIII pelo cronista Saxo grammaticus em seu Gesta Danorum e, mais tarde, retomada por François de Belleforest no século XVI, e numa suposta peça do teatro isabelino conhecida hoje como Ur- Hamlet.

Dada a estrutura dramática e a profundidade de caracterização, Hamlet pode ser analisada, interpretada e debatida por diversas perspectivas. Por exemplo, os estudiosos têm se intrigado ao longo dos séculos sobre a hesitação de Hamlet em matar seu tio. Alguns encaram o ato como uma técnica de prolongar a acção do enredo, mas outros a vêem como o resultado da pressão exercida pelas complexas questões éticas e filosóficas que cercam o assassinato a sangue-frio, resultado de uma vingança calculada e um desejo frustrado. Mais recentemente, críticos psicanalíticos têm examinado a mente inconsciente de Hamlet, enquanto críticos feministas reavaliam e reabilitam o carácter de personagens como Ofélia e Gertrudes.

Hamlet é a peça mais longa de Shakespeare, e provavelmente a que mais trabalho lhe deu, mas encontrou nos tempos um espaço que a consagrou como uma da mais poderosas e influentes tragédias em língua inglesa: durante o tempo de vida de Shakespeare, a peça estava entre uma das mais populares da Inglaterra e ainda figura entre os textos mais realizados do mundo, no topo, inclusive, da lista da Royal Shakespeare Company desde 1879. Escrita para o Lord Chamberlain`ins Men, calcula-se que sobre Hamlet já se escreveram cerca de 80.000 volumes, muitos deles certamente são obras de grandes nomes que foram influenciados pela tragédia shakesperiana, como Machado e Goethe e dickens e Joyce, além de ser considerada por muitos críticos e artistas de todo o planeta como uma obra rica, aberta, universal e muitas.

Beijos

Satine

 

Carlos Drummond de Andrade

Posted in Literatura on Novembro 25, 2008 by lasatine

Sugar e ser sugado pelo amor

Sugar e ser sugado pelo amor
no mesmo instante boca milvalente
o corpo dois em um o gozo pleno
Que não pertence a mim nem te pertence
um gozo de fusão difusa transfusão
o lamber o chupar o ser chupado
no mesmo espasmo
é tudo boca boca boca boca
sessenta e nove vezes boquilíngua.
A língua lambe

A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.

E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,
entre gritos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecidos.
A castidade com que abria as coxas

A castidade com que abria as coxas
e reluzia a sua flora brava.
Na mansuetude das ovelhas mochas,
e tão estreita, como se alargava.

Ah, coito, coito, morte de tão vida,
sepultura na grama, sem dizeres.
Em minha ardente substância esvaída,
eu não era ninguém e era mil seres

em mim ressuscitados. Era Adão,
primeiro gesto nu ante a primeira
negritude de corpo feminino.

Roupa e tempo jaziam pelo chão.
E nem restava mais o mundo, à beira
dessa moita orvalhada, nem destino.
Mimosa boca errante

Mimosa boca errante
à superfície até achar o ponto
em que te apraz colher o fruto em fogo
que não será comido mas fruído
até se lhe esgotar o sumo cálido
e ele deixar-te, ou o deixares, flácido,
mas rorejando a baba de delícias
que fruto e boca se permitem, dádiva.

Boca mimosa e sábia,
impaciente de sugar e clausurar
inteiro, em ti, o talo rígido
mas varado de gozo ao confinar-se
no limitado espaço que ofereces
a seu volume e jato apaixonados
como podes tornar-te, assim aberta,
recurvo céu infindo e sepultura?

Mimosa boca e santa,
que devagar vais desfolhando a líquida
espuma do prazer em rito mudo,
lenta-lambente-lambilusamente
ligada à forma ereta qual se fossem
a boca o próprio fruto, e o fruto a boca,
oh chega, chega, chega de beber-me,
de matar-me, e, na morte, de viver-me.

Já sei a eternidade: é puro orgasmo.
Sem que eu pedisse, fizeste-me a graça

Sem que eu pedisse, fizeste-me a graça
de magnificar meu membro.
Sem que eu esperasse, ficaste de joelhos
em posição devota.
O que passou não é passado morto.
Para sempre e um dia
o pênis recolhe a piedade osculante de tua boca.

Hoje não estás nem sei onde estarás,
na total impossibilidade de gesto ou comunicação.
Não te vejo não te escuto não te aperto
mas tua boca está presente, adorando.

Adorando.

Nunca pensei ter entre as coxas um deus.