Num dos meus últimos “posts” publicados, fiz referencia à intenção de escrever um auto-retrato da Satine. Da pessoa, mulher, do que difere, no que é igual a todas as outras mulheres, qualidades, defeitos de carácter, personalidade, enfim, a humana Satine vestida na personagem de acompanhante e vulneravelmente nua como humana.
Prometo esforço, coerência e dedicação.
Vou então levantar um pouco o véu. Para que seja igual a mim mesma, como sempre procuro ser, não começo pelo início, nem pelo final, mas sim algures no meio.
Começo, quando um dia, por volta das 17 horas o telemóvel tocou.
Era um suposto cliente procurando saber mais informações sobre a minha pessoa, condições, localização, tipo de serviço que presto enfim, a normalidade que toda a gente conhece neste tipo de conversa. Sempre bastante educado, tratando-me por você, (que me agrada). Depois de esclarecido, perguntou se podia marcar para as 17 horas desse mesmo dia. Como costumo trabalhar até cerca das 20:00 e não tinha ninguém agendado, concordei e a marcação ficou feita.
Chegaram as 17:00 e, nada. Pensei para comigo que era mais um daqueles que marca e depois não aparece nem dá qualquer tipo de satisfação. Engano meu! Por volta das 18:00, ligou. Pediu desculpa por não ter dito nada, que as coisas no emprego se tinham atrasado mas, mantinha a intenção de se encontrar comigo se eu concordasse em remarcar para as 20:00, aí sim, estaria despachado e conseguiria honrar o compromisso. Irritada, concordei. Devido à irritação, devo dizer que não fui nada agradadora, antes pelo contrário, fui fria, não escondendo o desagrado daquele atraso e remarcação para a hora em que normalmente costumo jantar. O final do dia de trabalho para mim tem muito de sagrado e quando é alterado fico rabugenta, até mal disposta.
Pouco antes das 20:00, ligou novamente. Desta vez para saber a localização exacta do meu apartamento. Forneci, com pontos de referência, no entanto sem simpatia. Teve bastante dificuldade em encontrar, ligou-me várias vezes o que me deixou ainda mais irritada, o tempo passava e ele não dava com o local. Até que enfim, o Francisco chegou. Esse é o seu nome.
Hoje, quando recordamos este dia com carinho, sei que, devido à minha antipatia ao telefone, não me mostrar disposta a ajudá-lo a encontrar o meu apartamento, esteve quase para não comparecer, ou seja, desistir de se encontrar comigo. Inclusivamente acrescentou que, se não fosse a minha voz e maneira de falar, que o atraiu imenso, não teria vindo. Hoje rimos ambos com este episódio.
A campainha tocou, o Francisco entrou!
Confesso que nada me arranjei para o receber. Calças de ganga, botas meio salto de meio cano, camisa e casaco comprido vestido destro de casa. O corpo, como convém, não se via. Por baixo, lengerie normal, preta, cueca tipo “fio dental”, cabelo solta, olhos ligeiramente retocados.
Entrou. Fechou a porta e deixou sair um “boa noite” tímido. Ficou especado à entrada olhando para mim. Achei estranha a forma como me olhava. Olhava-me com admiração, atrevo-me até a dizer espanto e deslumbramento. Confesso que me agradou! No entanto, interroguei-me sobre o que este homem teria visto em mim para ficar daquela maneira .Considero-me uma mulher normal!
Sem jeito mas, educado quebrou o gelo, desculpando-se da falta de pontualidade e percas de tempo.
Tinha na minha frente mais um homem entre muitos que, daí a instantes iria estar nu, pronto para tocar na nudez do meu corpo, penetrar-me com o seu falo, gemendo com o prazer que eu e o meu corpo lhe oferecemos, até não aguentar mais e terminar, ejaculando. O propósito principal dos homens que procuram o serviço de uma acompanhante como eu.
Isto, seria o normal a troco do dinheiro que, timidamente colocou em cima da mesa.
Como era de fora, encontrando-se em Lisboa em serviço da empresa onde trabalhava, pensei que não mais o veria. Quanto muito, esporadicamente.
Enganei-me! Não foi nada disto que aconteceu…
Já dentro do meu apartamento, junto à porta…
Deixou sair um “boa noite” bastante tímido…
- Deixe lá as desculpas. Finalmente conseguiu chegar. Ainda bem! O meu nome é Satine, e você como se chama?
-Francisco!
-E então Francisco, já me disse que não é de cá aliás, viu-se pela dificuldade que teve em encontrar o meu apartamento.
- Não! Realmente não sou, sou da Beira mas vivo actualmente no Algarve. Estou aqui temporariamente, em trabalho…
- Muito bem! E então? Vamos para o quarto? Vamos fazer uma brincadeira? Foi para isso que me ligou, não foi?
- Está bem, vamos! Posso tomar um duche?
- Claro que sim. Espere só um pouco, vou-lhe buscar um toalhão.
Enquanto isso, pensava para comigo que já devia estar pelo menos a caminho de casa, já estava atrasada. Decidi esperar pacientemente…
Regressou ao quarto, tímido, enrolado no toalhão pela cintura.
Eu, comecei a despir-me junto ao radiador ligado…
- A Satine tem um corpo lindo!
Disse o Francisco enquanto pousava a mão na minha cintura, deixando-a descair até à anca agora nua…
- O Francisco também é um homem bonito!
Retribui…
E é… Não aquela beleza que salta à vista imediatamente mas, um homem insinuante com boa postura e saber estar. Via-se que era educado. “Beto” demais para o meu gosto, pela maneira de vestir.
Delicadamente, puxou-me para a cama… Deitou-me. Tirou o toalhão, começou a beijar-me no pescoço enquanto as mãos se perdiam nos meus seios…
Notava-se que estava cheio de tesão. Fui mesmo obrigada a dizer-lhe para ter cuidado com o meu peito. Não porque estivesse a ser bruto mas, simplesmente porque sou muito sensível naquela zona.
Imediatamente acedeu ao meu pedido desculpando-se, passando agora a acaricia-lo de modo terno, cuidadoso e bastante sensual.
Tomei conta que estava com um homem que sabe estar com uma mulher, embora não seja de muitas palavras durante o coito…
Tomei a iniciativa de chupar o seu falo… Notava-se na sua expressão e comportamento que estava cheio de tesão psicológico mas, fisicamente, não estava em sintonia… Nunca, até ao final, conseguiu ter erecção total. A minha experiência disse-me, mais tarde comprovado, que não se tratava de problemas físicos mas, problemas de homem casado com consciência castradora. Procurava sexo pago por necessidade, não por gostar de o fazer…
Mesmo contra mim… Gosto de dar prazer aos homens que me procuram e de receber de homens como ele… Gosto disso num homem… Mostra bom carácter…
Decidido, segurou nas minhas pernas, abrindo-as, enquanto perguntava se podia lamber a minha vulva, agora aberta e totalmente oferecida para ele. Antes mesmo que pudesse responder, já a sua língua percorria delicadamente os lábios do meu sexo… Continuava, firmemente segurando as minhas pernas pelos tornozelos, empurrando-me ligeiramente para trás, obrigando-me a mantê-las bem abertas, ficando com todo o meu sexo bem saliente e aberto, ao seu dispor… Com a boca, chupava agora o clítoris, mantendo-o bem dentro da boca, descarnando-o com habilidade única, enquanto esfregava a língua nele em movimentos cadenciados. Não resisti… Que se lixe a pressa que tinha antes deste homem chegar.
Ofereci de vontade todo o meu corpo. Entreguei-me… Deixei-me levar pelas ondas de prazer que o Francisco provocava em todo o meu corpo. Fiquei “encharcada” de excitação… Toda eu estremecia no prazer descontrolado do inesperado orgasmo atingido… Ofereci-lhe todos os meus fluidos íntimos e quentes, segurando e empurrando com ambas as mãos a sua cabeça entre as minhas pernas, a sua boca contra a vagina dilatada de prazer. Continuava lambendo, sorvendo todos os líquidos vaginais, como se não quisesse perder uma única gota…
Era a vez dele. Chegou-se para cima, experiente, meteu em mim colando o seu corpo suado ao meu… Ajeitei-me, queria receber dentro de mim o pau do homem que me tinha acabado de me lamber de forma tão generosa. Ofereci o quente do meu sexo…
Continuava sem erecção total, mas total excitação mental. Não faz mal… Pensei! O tamanho do seu pau é bem suficiente para me dar o prazer que decidi receber daquele desconhecido que agora me comia toda… Queria mais… Queria deixar aquele homem louco de desejo por mim, pelo meu corpo oferecido, pago à hora. Queria compensá-lo… Queria recompensá-lo!
Olhei-o! Olhou-me. O seu olhar, pouco expressivo, transpirava tesão por mim. Tesão descontrolado. Precisava saciar o apetite sexual, deleitar-se com o repasto que o meu corpo de fêmea oferecida lhe proporcionava.
Com um gesto, empurrei-o, pedindo-lhe que me comesse por trás, pondo-me a jeito… Louco de desejo penetrou-me, mantendo-me as pernas juntas, empurrando o meu rosto contra o lençol revolto que cobria a cama. Assim deixei que abusasse de mim… Assim deixei que me fodesse… Ciente do tamanho generoso do seu falo que me penetrava até às entranhas húmidas e quentes, foi sempre cuidadoso, para não me magoar com as investidas em mim… Assim me comeu até querer. Eu surpresa e extasiada, deixava-me levar pelo prazer que sentia…
Tirou de mim, permaneceu de joelhos… Virei-me. Ficamos, ambos de joelhos frente a frente. Olhando-me nos olhos, colocou a mão na minha nuca, acariciando-me o cabelo. A outra na nádega, firme, aconchegou-me contra o seu corpo quente. Continuava a olhar-me, agora de uma maneira diferente. Aproximou os lábios dos meus até se tocarem de leve, sem beijar. Não consegui fazer nada, ali fiquei, estática. Tímido, beijou-me no pescoço como se beija-se na boca…
Foi nessa altura que percebi a química que aquele homem sentiu comigo… E eu…
Ele ainda não tinha terminado.
Deitei-o, meti o sexo dele na boca, senti-o crescer junto da minha língua. Chupei-o, como sei chupar… Dei o meu melhor, tinha prazer em ter o sexo daquele homem dentro da minha boca. Tinha-me dado tanto prazer… Tinha-se dedicado tanto a mim. É daqueles homens que tem prazer só por dar prazer a uma mulher. Sem isso, para ele o sexo é incompleto…
Continuei a chupar, bem húmido… Agradeceu o meu broche em silêncio, tirando a camisa, para de seguida derramar, todo o leite quente, em cima do meu peito, que lhe ofereci…
Caímos ambos para o lado, sem descolar o seu corpo do meu e, assim ficamos, exaustos, cansados e dormentes, por momentos, em silêncio, sem saber que dizer.
Continua…
Beijos
Satine